Critério

Como a sua edição é montada

Ninguém escolhe à mão a ordem das notícias do seu e-mail — nem um editor, nem a inteligência artificial. A ordem sai de uma conta que qualquer pessoa pode refazer: quantas redações diferentes publicaram a mesma história.

Onze redações que escolhem apurar o mesmo fato no mesmo dia são o julgamento de onze equipes somado. É um sinal de importância. Não é um sinal de verdade, e isso está explicado no fim desta página.

A conta, passo a passo

  1. Juntamos as matérias do dia

    As das últimas 24 horas, vindas das fontes que você escolheu, até as 200 mais recentes — num dia cheio, para quem assina muitas fontes, as mais antigas ficam de fora. Antes de qualquer conta sai o que reconhecemos pelo título como serviço: resumo de novela, grade de jogos, horóscopo, resultado de loteria, truque doméstico. Esse filtro é conservador: na dúvida, a matéria fica.

  2. Descobrimos quais contam a mesma história

    Duas matérias são a mesma história quando os títulos dividem pelo menos 4 palavras raras. Só contam palavras de 4 letras ou mais; acento e maiúscula não fazem diferença, e palavra de gramática não conta. Uma palavra é rara quando aparece em no máximo 6% dos títulos do dia — é o que separa “Toffoli” de “governo”. Com menos de 100 matérias não há como medir raridade, e aí toda palavra conta.

  3. Contamos redações, e não páginas

    Editorias e edições do mesmo veículo são uma redação só: G1 Política e G1 Economia contam uma vez, e a Folha também, em qualquer editoria. G1 e O Globo, que têm redações próprias, contam duas. Uma redação publicando duas vezes não confirma a si mesma.

  4. Ordenamos

    Mais redações primeiro. No empate, o tema de maior peso para a leitura da manhã — política antes de negócios. Se ainda empatar, a mais recente.

  5. Cada história aparece uma vez

    Quando várias redações cobrem o mesmo fato, uma matéria representa a história no seu e-mail, e as outras não se repetem abaixo dela.

A comparação é sempre entre vizinhos diretos, nunca em corrente. Se A se parece com B, e B se parece com C, isso não junta A e C: uma ligação fraca estraga uma matéria, e não o dia inteiro.

O que abre a edição

Uma história vira destaque quando pelo menos 3 redações a publicaram, e cabem até 4 destaques. Com duas, dois veículos que republicam a mesma agência já fariam a manchete do dia. Num dia em que nada chega a 3, a edição sai sem destaque — é a resposta honesta.

A ordem é decidida dentro das suas fontes, mas o destaque é contado no noticiário inteiro: as matérias de todo o catálogo nas últimas 24 horas, até 1.000. Quem assina cinco veículos não tem como saber, só com eles, que uma história saiu em doze. Num dia com mais de 1.000 matérias, as mais antigas ficam de fora dessa conta.

Para quem acompanha as eleições, há até 5 vagas reservadas para a campanha. Notícia de campanha costuma sair num veículo de cada vez e perderia a disputa por construção; reservar a vaga é o jeito de a seção existir sem mudar a conta do resto.

A caixa “A edição de hoje”, na página inicial, é uma vitrine do catálogo inteiro, e não a sua edição: usa a mesma conta de redações, mas sobre as últimas 600 matérias de 48 horas, com até 2 da mesma redação.

Fora das suas fontes

Em algumas edições, logo depois das matérias da edição, aparece uma matéria sob o título “Fora das suas fontes”: uma história que várias redações publicaram, todas fora das fontes que você escolheu. É uma matéria só, e ela aparece apenas quando tudo abaixo é verdade.

  • Pelo menos 5 redações publicaram a história nas últimas 24 horas, mais do que as 3 do destaque. O destaque diz “isto é grande”; este bloco diz “isto é grande e passou longe de você”, e a segunda frase pede mais lastro.
  • Nenhuma dessas redações está entre as suas fontes.
  • A contagem é mais estrita que a da ordem. Uma palavra que aparece em mais de 1,5% dos títulos do dia fora daquela história não liga duas matérias. É o nome de candidato em plena campanha: sem essa regra, três pesquisas diferentes com o mesmo nome virariam uma história só. Num dia com poucas matérias, os cortes em porcentagem desta seção nunca ficam abaixo de 3 títulos.
  • Só entram veículos em português. Uma história de veículos estrangeiros nunca bateria com a cobertura das suas fontes, e o bloco acusaria uma ausência que não existe.
  • A matéria tem um dos temas que você escolheu, e um tema que entra na edição.
  • Nada que você já tem diante dos olhos se parece com ela: nem as matérias das suas fontes no mesmo período, nem as da edição de hoje, nem o resto do e-mail. Basta um desses títulos dividir 3 palavras com a história, ou 2 palavras raras — que aparecem em até 1% dos títulos do dia fora dela —, para o bloco não aparecer. Errar escondendo custa um dia sem a nota; errar mostrando repetiria notícia.
  • Nenhuma das suas fontes está desligada no catálogo. Fonte desligada não é coletada, então não há como saber o que ela publicou, e o bloco não aparece.

O que ele não diz: que as suas fontes deixaram de dar o fato. Título não prova isso — um veículo pode ter coberto a mesma coisa com outras palavras. O bloco afirma só o que os nomes provam: quem publicou não está entre as suas fontes. Ele também não diz de que lado a história é, nem quantas redações foram. E aparece igual no plano grátis e no pago.

Os limites de cada edição

  • Até 40 matérias por edição.
  • Até 4 matérias da mesma redação, somadas as editorias dela. Um bom veículo pode liderar o dia; não pode ocupar o e-mail pelo volume. O bloco das eleições não entra nessa conta.
  • Entram matérias de economia, política, eleições 2026, segurança, meio ambiente, saúde, educação, negócios e internacional. Matéria só de tecnologia, ciência, esporte ou cultura ainda fica de fora; quando ela também toca um dos temas acima, entra por ele.

O que a inteligência artificial faz, e o que não faz

Faz: lê o título e o trecho curto que o próprio veículo publica no feed, classifica a matéria em até três temas e escreve um resumo de uma ou duas frases, sem opinião e sem nada que não esteja no título ou no trecho. Também escreve o parágrafo que abre a edição, a partir das matérias do topo.

Não faz: não escolhe a ordem, não decide o que é destaque e não dá nota a veículo. Quando o resumo não fica pronto, a matéria chega com o título e o link — nunca com o texto do veículo no lugar.

O que a conta não diz

  • Muita cobertura não é o mesmo que verdade.

    Onze redações podem repetir a mesma nota oficial, ou errar juntas. A conta mede o quanto uma história foi apurada, e não se ela está certa.

  • Pouca cobertura não é irrelevância.

    Furo sai num veículo só, e reportagem local também. Uma matéria com uma redação pode ser a mais importante do seu dia.

  • A conta lê títulos, não matérias.

    Dois títulos muito diferentes sobre o mesmo fato podem não se encontrar, e a história aparece mais baixa do que deveria.

  • Nenhuma redação pesa mais que outra.

    A linha editorial dos veículos está no nosso catálogo, para os atalhos que ajudam a escolher fontes. Na ordem da edição ela não entra: quem decide em quem confiar é você, ao escolher as fontes.

De onde vêm as matérias

Só do que os veículos publicam abertamente, nos feeds RSS, Atom e JSON deles. Nada de copiar página, nada de passar por paywall. O resumo é curto e todo link leva à matéria no veículo, que fica com o crédito e com a visita.

Achou um erro na conta, ou uma história que deveria estar mais alta? info@goodmornews.com.br.

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